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Poetando na periferia: entre a quebrada e o planalto 

Por Stefany Cardoso e Paula Sant’Ana 

  Caracteriza-se por literatura periférica a produção de conteúdo cultural feita às margens de grandes metrópoles. É uma manifestação criada principalmente por escritores de comunidades urbanas. Cada poeta, com sua singularidade, faz da roda de saraus um palco e recita aquilo que já não cabe mais na folha de caderno ou no bloco de notas do celular. 

  A abundância de feiras literárias e, consequentemente, a formação contínua de novos autores permitem o escape aos rótulos, em particular o de “marginal”. Criações de eventos, cursos, workshops, entre outros, abrem espaço para novos narradores e é um suporte para revitalização da literatura brasileira, em busca da conquista do seu lugar de fala. 

   No entanto, o conservadorismo remete sempre às tentativas de barrar avanços progressistas.  ”Até metade do século passado, houve forte isenção literária no papel da periferia ao que diz respeito à formação cultural do Brasil, sendo um manifesto para dar voz a sociedade que vive à margem da sobrevivência” declara Josilma Amato, analista de literatura do SESI-SP. O sujeito periférico não aparecia nos livros e nada sobre o conjunto de ideias marginais era compartilhado em sociedade.

   A vida literária na periferia abrange manifestações femininas,  quilombolas, LGBTs, entre os mais familiares. Entretanto, o crescimento de um desses grupos não priva a expansão de outros, visto que em uma comunidade se encontram as mais adversas situações, como problemas sociais, tráfico e principalmente a miséria. 

 Com linguagem rebuscada, até os mais simples rascunhos elitistas se transformam automaticamente em arte de alto escalão. Quem foi que elegeu um criador de regras? Quem disse que a quantidade de capital molda os padrões culturais?

   A crítica permite a contextualização, onde a maioria dos paulistanos têm hábito de gostar do inatingível, do distante, para se sentirem quase europeus ou norte-americanos. Negar raízes é um problema nacional, vivemos o famigerado complexo de vira lata. É isso que a literatura periférica busca quebrar.

  Cansados de ouvir "eles que lutem" em tom irônico, publicações independentes mostram a cada dia maior representatividade de movimentos periféricos. Sendo um manifesto para dar voz ao povo que vive às imediações precárias urbanas, os conteúdos produzidos são mais que algo bonito de ser visto ou ouvido, são gritos abafados que imploram por maior cuidado dos representantes governamentais.

  O silêncio perpetuou por muito tempo. Arrogância elitista é afirmar que devem trazer cultura às periferias. Enquanto isso, saraus em garagens, slams em becos e escritores de papel de pão têm surgido e feito história. O que caracteriza um artista é a sua alma, a paixão pelo que faz. A forma que ele se expressa é o que move toda essa ação.

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