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Adorno e Horkeimer já sabiam

Por Marcos Marinho

   A chamada “cultura periférica”, é composta por um conjunto de ações artísticas/literárias, tais como saraus de poetas e escritores moradores de comunidades, quanto rodas de leitura e círculos poéticos. As produções audiovisuais, musicais e de danças, apontam para outro imaginário simbólico dessas localidades. Quando se trata da palavra ‘periférica’, entende-se, no quesito geográfico, os que vivem às margens, e não da forma pejorativa vista diariamente nas mídias, com viés de inferioridade.

   Contudo, qual é a explicação para a falta de olhos e esperança nesse modelo cultural? Por que os artistas marginais não têm o espaço e nem o público necessário para demonstrar a sua arte? Decerto, Adorno e Horkheimer, principais pensadores da Escola de Frankfurt, possam nos explicar, de forma mais clara, os motivos pelo quais essa desvalorização acontece.

   A partir de análises dos estudos de Karl Marx sobre a sociedade capitalista, os dois  frankfurtianos relacionaram as produções culturais com a economia e desenvolveram o livro “Dialética do esclarecimento”, no qual, há uma análise que trata da indústria cultural, e a indica como a principal causa da falta de raciocínio crítico da massa. A indústria cultural não fomenta convicções e reflexões sobre o mundo, pelo contrário, ela busca o lucro, como todo empreendimento capitalista. Assim, o suposto potencial revolucionário ou emancipador de algumas artes, como a música e o cinema,  voltam sua produção para o consumo, e perde, aos poucos, a essência artística de impactar e fomentar o apreço, admiração e identificação no público. 

   Sendo assim, acaba se tornando uma relação de “mutualismo” entre a massa e a indústria cultural. Pelo lado da população, há ausência de desejo de produções artísticas, e trabalhos que retratem a sua rotina dura, seu cotidiano. Logo, se o cidadão não cria, tem quem crie e, assim, surgem as produções de massas alienatórias. Na sociedade industrial capitalista a produção da arte é explorada como um "bem cultural". 

   A literatura marginal destoa de tudo isso porque representa resistência. Resistência essa ao preconceito, a discriminação e a exclusão. Na atual conjuntura nacional, seria de grande importância à população, ter contato direto com a cultura marginal e entender que, muito dos problemas que vivemos hoje, poderiam ser evitados se houvesse empatia entre as classes. Este movimento das ‘perifas’ tenta deixar claro aos olhos de todos, que ninguém é feliz quando é esquecido e discriminado pelos próprios governantes e camadas sociais auto proclamadas superiores.   

   Portanto, por mais que seja explicada de diversas formas, não existe uma desculpa concreta para a não apreciação da arte e cultura periférica, que representa uma parcela significante da sociedade, ativa ou inativa, negra e branca. Suas obras ecoam as vozes engasgadas nas zonas às margens, a imagem que a mídia não mostra. A cultura é feita de “gente”, e nós, devemos absorver essa lógica, e propagar a arte para desenvolver um mundo mais igualitário e sem preconceitos. 

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