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Uma biblioteca móvel cheia de cultura e conhecimento chega às comunidades carentes

Por Julia Tanaka 
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Automóvel do BiblioSesc alocado no Campo Limpo, Zona Sul de São Paulo, em 21 de setembro de 2019. Foto: Marcos Marinho

SESC utiliza caminhões para levar a leitura às regiões onde ela não chega

   O SESC - Serviço Social do Comércio - é mantido pelos empresários do comércio de bens, turismo e serviços. Atualmente tem diversas unidades no país, a maioria na grande São Paulo, inclusive, no interior e litoral. Tem como objetivo promover a qualidade de vida e o bem-estar dos trabalhadores desse setor e de suas famílias. A partir dessa ideia, a entidade criou o BiblioSesc, que é um projeto do Departamento Nacional do SESC. Na metrópole paulistana, o projeto foi inaugurado em 2009. Hoje, no total, são 56 caminhões pelo Brasil e os livros são provenientes de compras realizadas pela própria instituição. 

   A motivação para a criação do BiblioSesc foi a percepção do pouco incentivo à produção cultural em áreas próximas a capital, como Campo Limpo, Santana, Itaquera e Osasco. De início, a ação contou com 2 caminhões: um para Interlagos e outro para Itaquera. Após 2 anos, foram implantados em Osasco e São Caetano. Em 2014, chegou ao  Campo Limpo e Santana.   

   Cristiane Soares, bibliotecária do SESC há 11 anos, responsável pelo projeto no Campo Limpo, afirma que o público é bem participativo: “Há bastante procura. Nós vamos às comunidades e como tem acesso gratuito, as pessoas se interessam”. Não existem restrições quanto a faixa etária, aliás, há livros infantis, infanto juvenis e adultos. “Lugares com características nordestinas, em maior proporção, prevalece a literatura de cordel e livros de autoajuda.” A escolha do acervo é feita cuidadosamente para que sejam saciadas as sedes de leitura de todos os perfis. 

   Gustavo Barreto, também bibliotecário, responsável pelo polo Santana, tem uma visão parecida com a de Cristiane.  Segundo ele, dependendo do ponto, a demanda de livros e de usuários acaba sendo diferente: “em frente a um CCA - Centro para Crianças e Adolescentes -,  o foco são livros infantis. Já a Casa de Cultura, na Vila Guilherme, possui um público mais adulto, gostam mais de literatura brasileira…”.

   Cristiane faz uma comparação de zonas da cidade onde o BiblioSESC atua: “no Embu Guaçu, temos uma nicho maior de adolescentes. Então, eles buscam mais por quadrinhos, literatura juvenil e até mesmo estrangeira (voltadas para o terror), e um pouco de poesia. Já no Jardim Comercial, o público infantil é maior”, e completa: “A procura muda conforme o local. Fazemos um estudo de usuário para montar o acervo.” 

Lugares com características nordestinas, em maior proporção, prevalece a literatura de cordel e livros de autoajuda.

 Cristiane Soares

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   Com relação à escolha das regiões, o processo segue alguns  critérios pré estabelecidos: parcerias com empresas para fornecimento de energia e banheiros para a equipe, por exemplo, são importantes etapas para a alocação da biblioteca móvel. O caminhão precisa de um ambiente adequado e acessível. 

    Os responsáveis priorizam comunidades sem equipamentos culturais, para suprir a carência artística. Cristiane ressalta a importância de se manter próxima do coletivo social: “eu vou até lá para ter esse olhar do que aquele grupo de moradores quer ler, conhecer”. 

   De acordo com a mesma, sugestões de gêneros literários são bem vindas, porém,  é seguida uma linha de raciocínio estratégica para definir o tipo de linguagem, a classificação e a relevância de conteúdo. Dessa forma, evita-se a banalidade e a mesmice nas abordagens das obras.

 

 Sobre o projeto

   Cada base móvel da biblioteca dispõe de, basicamente, três profissionais: o motorista, o bibliotecário e o assistente. O veículo vai até o lugar escolhido para oferecer seus serviços à população. Geralmente, as crianças gostam de ficar dentro do caminhão lendo e ouvindo as histórias que são contadas pelos próprios bibliotecários.

   E não é só de livros que as atrações do BiblioSesc são feitas. Abordagens culturais características de cada localidade são integradas nas rodas de conversa, além de atividades como contação de histórias, encontro com autores e mediação de leitura.

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  É possível encontrar a programação do BiblioSesc no site ou então em folders disponíveis em qualquer SESC. Os caminhões costumam ficar nas respectivas sedes durante o final de semana e feriados. Em outros locais, a visita é feita durante a semana, geralmente de terça a quinta. 

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