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A Literatura Marginal nas ruas e nas redes 

Por Camila Santos
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Roda de Conversa na Flipenha (Feira Literária da Penha/São Paulo) no dia 13 de outubro de 2019, com participação especial da escritora Mariana Félix.  Foto: Paula Sant’Ana

O ambiente virtual democratiza os meios de comunicação e dá visibilidade aos menos visíveis na cultura brasileira  

  A literatura está nos grandes clássicos brasileiros de Machado de Assis, Guimarães Rosa, Lima Barreto, entre outros. Mas não é só na “nata” que ela se faz presente. Na periferia, um forte movimento cultural se consolida cada vez mais com o seu público-alvo. É comum pensar em literatura e livro ao mesmo tempo, como se fossem sinônimos. Mas o caminho literário abrange um grande leque de possibilidades, não está só nas linhas do papel, é literatura oral, é poesia cantada, slams (batalhas de rima poética) e tudo isso, está no mundo digital. 

  O que é físico ganha sua versão virtual e atinge um maior número de pessoas, e a literatura marginal, ainda tão hostilizada pelas grandes mídias e editoras, ganhou mais visibilidade pelas redes. No cenário atual, não tem como não fazer parte do “on-line”. Segundo a pesquisa TIC Domicílio, disponibilizada em agosto deste ano pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic), metade da classe mais pobre no Brasil está oficialmente conectada, são 48% contra 42% de 2017. 

  As rodas de leitura, saraus e feiras literárias são concentradas por pequenos grupos culturais de uma determinada região. No Facebook, por exemplo, essas manifestações artísticas surgem na timeline como eventos. O foco principal é a divulgação. A literatura marginal aborda temas que a comunidade vive na pele todos os dias, como a questão da negritude, da violência, desigualdade e o anseio por uma vida melhor. Esses pequenos encontros literários geram uma identificação imediata no público. Muitos escritores marginais começaram a utilizar a internet a seu favor para agregar ao movimento mais popularidade, já que o mercado literário nacional é tão difícil de penetrar pela discriminação que ainda se faz com a arte da favela. 

  Mariana Félix é escritora, militante feminista e slammer, conta que seus livros (com narrativas crônicas e poéticas), começaram em um site. “Eu utilizo bastante o Instagram e o YouTube como ferramenta de trabalho. Democratizou muito os meios de comunicação. Se eu precisasse, um dia, aparecer na Rede Globo para as pessoas, sequer, saberem que eu tenho um livro, talvez eu morresse tentando. Mesmo assim, não se torna mais fácil estar na internet, porque nela também há reprodução desse sistema racista e desigual que existe no país.” 

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Mariana Félix no evento Flipenha à esquerda, com educadora da Feira e mediadora da roda de conversa. Foto: Camila Santos

  A cronista apresentou o programa "Além da Poesia", transmitido pela TVT, tem três livros publicados de forma independente “Mania” (2016), “Vício” (2017) e  “Abstinência” (2018) com poesias, e dissertações sobre o empoderamento feminino, a relação política, a sociedade e o amor. 

  Já o poeta Alex Vulgo Mini, também escritor marginal, atua no meio digital, em saraus e eventos culturais. “Meu trabalho está só nas redes sociais, mas em breve espero publicar o material. A internet auxilia muito na divulgação simples e gratuita da poesia, tem um alcance tão grande que às vezes não sei onde minha arte pode chegar. Mas mesmo assim, não troco a vivência com o público em um sarau, por exemplo, pela interação virtual.”

  Para ambos autores, o ao vivo, vis-à-vis, quando se trata de arte, cativa mais as pessoas do que na tela do computador. Mesmo assim, o ponto de partida para ter voz e vez no âmbito social começa, de maneira geral, na internet. É inegável que, o fácil acesso e a disseminação de ideias à velocidade da luz (com os compartilhamentos, curtidas e visualizações), impulsiona as informações nas redes, como uma grande bola de neve, que não se sabe onde vai parar, mas,  que continua rolando e atingindo cada vez mais pessoas. 

O uso da internet no Brasil 
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